O pesquisador do iii, Edécio Cunha-Neto tem dedicado sua vida a desvendar as causas da doença cardíaca (cardiopatia Chagásica Crônica, CCC) que acomete cerca de 30% das pessoas infectadas pelo protozoário Trypanosoma cruzi, o agente causador da doença de Chagas. Apesar do monitoramento e cuidados tomados, hoje em dia, pelas autoridades sanitárias, há ainda, em torno de 6 milhões de pacientes com a doença de Chagas. A CCC é mais grave e letal que cardiomiopatias de outras origens. Na revisão publicada em dezembro de 2023 (https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/15353702231220658), os autores traçam um provável caminho do desenvolvimento da cardiomiopatia chagásica crônica. Provável, porque são inúmeras as dificuldades de estudar uma patologia humana. No entanto, trata-se de trabalho essencial que valida os dados anteriores obtidos em modelos experimentais.
Tudo começa com a resposta de defesa do organismo, que produz citocinas inflamatórias como IFN-γ e TNF-α. Na infecção persistente pelo T. cruzi, essas citocinas são continuamente produzidas no tecido cardíaco de pacientes com a doença de Chagas crônica (CCC). Os cardiomiócitos respondem com estresse nitro-oxidativo e redução de mitocôndrias, essenciais para a geração de energia do coração, levando à insuficiência cardíaca e morte. Estudo de Cunha-Neto mostrou que apenas portadores de CCC em famílias estudadas tinham mutações nos genes mitocondriais. Cerca de 30% dos pacientes com doenças mitocondriais desenvolvem cardiopatia similar à causada pelo T. cruzi. Os resultados sugerem que mitocôndrias dos pacientes CCC são mais suscetíveis ao dano das citocinas. Estudos futuros considerarão a hipótese de que a CCC resulta tanto da inflamação quanto da perda da função mitocondrial, e que melhorar essa função pode beneficiar os pacientes.
Imunologia
Cardiomiopatia Chagásica Crônica: uma doença mitocondrial?
12 de junho de 2024



