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Imunologia

Como cérebro e intestinos conversam

26 de junho de 2025

Como cérebro e intestinos conversam

Um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina de Yale, liderados por David Hafler e Andrew Wang acabam de identificar uma nova variedade de linfócitos T. No artigo publicado na Nature em 28 de maio de 2025 (The subfornical organ is a nucleus for gut-derived T cells that regulate behaviour | Nature), os pesquisadores descrevem a descoberta desse novo grupo de células, localizadas predominantemente no órgão subfornical (OSF), em camundongos e também em humanos. São linfócitos T que apresentam uma assinatura gênica particular e diferente dos demais linfócitos T no cérebro. E mais, parecem ter origem no intestino e tecido adiposo e, portanto, viajam para o cérebro, sendo capazes de residir lá no OSF. Verificou-se que o número linfócitos residentes é modulado pela ingesta de dietas ricas em gordura, pelo jejum e pela microbiota intestinal. Também secretam interferon gama que contribui para a homeostase dos eixos de comunicação com o adiposo e o intestino. Em outras palavras, modificações da dieta são informadas ao cérebro através dessas células, ou como definido no comentário sobre o artigo: O cérebro usa as células para espionar o intestino (How the brain spies on the gut: with help from newfound immune cells (nature.com). Podemos imaginar quais serão os próximos passos após essa intrigante descoberta: O que é reconhecido por esses linfócitos T; quais as moléculas quimiotáticas responsáveis pela mudança de sítio de ação; de que maneiras interagem com os neurônios no OSF; quais, como e onde as moléculas produzidas por essas células agem e como, ao final, modificam o comportamento e hábito alimentar.