Sabiam que a ferroada do marimbondo-chapéu (Apoica pallens) pode provocar reações alérgicas severas? No entanto, apesar de ser um inseto comum por todo o Brasil, não existe um teste eficaz para diagnosticar a alergia ao veneno dessa vespa. Agora, um estudo feito com a colaboração de grupos na Alemanha, Cuba, Itália e Campinas pelo time do pesquisador do iii, Mario Sergio Palma, coletou, purificou e sequenciou, através de técnicas sofisticadas de proteômica, os componentes do veneno, identificando o causador dessa alergia. Na verdade, são dois os componentes, a fosfolipase A1 (PLA1) e o antígeno 5 (Ag5), que mostraram ser bastante similares aos dos venenos de outras vespas comumente encontrados em nosso país.
Esse é o primeiro passo para o desenvolvimento de um teste diagnóstico. Assim, foi elaborado um teste do tipo ELISA, com esses componentes peptídicos agora identificados, para detecção da imunoglobulina E específica (IgE) que reage contra o veneno causando a temida reação alérgica. De fato, os alérgenos PLA1 e Ag5 foram testados contra os soros (obtidos de amostras de sangue) de 22 pacientes sabidamente portadores da alergia contra o veneno do marimbondo-chapéu, confirmando que estes são os componentes indutores da alergia, pois foram reconhecidos pelas imunoglobulinas presentes nos soros de todos os 22 pacientes. A documentação detalhada desses procedimentos, ao longo do estudo, levou ao reconhecimento oficial desses alérgenos e sua inscrição no banco de dados da Organização Mundial da Saúde (WHO/IUIS Allergen Nomenclature Sub-Committee) recebendo os nomes oficiais de Apo p1 e Apo p5. Numa próxima etapa, esses poderão integrar os testes diagnósticos usados hoje na rotina clínica.



