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Imunologia

E o pesquisador iii publicou #6

23 de setembro de 2025

E o pesquisador iii publicou #6

Dengue? Sai pra lá!

 

A excelente revisão sobre o estado da arte das vacinas contra a dengue publicada em agosto de 2025 na última edição  do Curr Top Microbiol Immunol, de autoria da pesquisadora do iii, Silvia Boscardin (https://link.springer.com/chapter/10.1007/82_2025_320), nos convida a conhecer mais a fundo os desafios de se chegar a uma vacina eficaz contra um vírus que se apresenta de várias formas (sorotipos) e que pode causar efeitos adversos graves. São 3 as vacinas em estado avançado de desenvolvimento. A primeira, da Sanofi, foi descontinuada no Brasil, oficialmente devido à baixa procura. No entanto, é uma vacina que só deve ser usada em zonas endêmicas, onde as pessoas já tiveram contato prévio com o vírus, e são 3 doses necessárias para a imunização eficiente. A segunda, QDenga, da Takeda, está hoje disponível, mas necessita de duas doses com intervalo de 3 meses para a sua máxima eficiência. Nem é preciso dizer que o retorno para a segunda dose é muito baixo.... A terceira vacina, usada em dose única e sem efeitos adversos significativos, desenvolvida no Butantan em sua maior parte durante a gestão de Jorge Kalil, está em fase de aprovação pela ANVISA (https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2301790).

 

Vários pesquisadores do iii têm contribuído significativamente para a compreensão desta complexa doença, suas formas clínicas, sua epidemiologia, além dos ensaios clínicos das diversas vacinas e a resposta imune à vacinação. Listamos aqui apenas algumas das publicações mais recentes: Effectiveness of the TAK-003 dengue vaccine in adolescents during the 2024 outbreak in São Paulo, Brazil: a test-negative, case–control study (DOI: 10.1016/S1473-3099(25)00382-2) cujo investigador principal é Julio Croda; A pre-vaccination immune metabolic interplay determines the protective antibody response to a dengue virus vaccine (https://doi.org/10.1016/j.celrep.2024.114370)  com a participação de Jorge Kalil; Antibody cross-reactivity and evidence of susceptibility to emerging Flaviviruses in the dengue-endemic Brazilian Amazon  (https://www.ijidonline.com/article/S1201-9712(23)00032-2/fulltext ) com a participação de Silvia Boscardin; Dengue Dilemma: Navigating Cross-Reactivity and Immune Challenges (DOI: 10.1007/82_2025_294) capitaneado por Manoel Barral-Netto, Thiago Cerqueira-Silva, Viviane Boaventura e Cristina Barros Cardoso.

 

E por fim, não podemos deixar de noticiar também a recente abertura da biofábrica de mosquitos Aedes infectados com Wolbachia, em Curitiba. Essa bactéria bloqueia a replicação de arbovírus dentro desse mosquito transmissor das doenças. É o já conhecido Aedes do bem e é a maior fábrica na atualidade (https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/noticias/2025/07/combate-a-dengue-fabrica-em-curitiba-beneficiara-140-milhoes-de-pessoas)  e deverá beneficiar milhões de pessoas e 40 municípios brasileiros. Já sabemos que a dengue irá recrudescer pois os surtos estão sincronizados com a chegada das chuvas e das altas temperaturas (https://www.nature.com/articles/d41586-025-02677-6). Precisamos continuar atentos e fazendo ciência da melhor qualidade para fazer frente ao grande desafio representado por essa doença tropical.