Silvia Beatriz Boscardin, professora da UNIFESP, publicou, em 2024, o artigo - Anti-RBD IgG antibodies from endemic coronaviruses do not protect against the acquisition of SARS-CoV-2 infection among exposed uninfected individuals - na revista Frontiers in Immunology (https://www.frontiersin.org/journals/immunology/articles/10.3389/fimmu.202 4.1396603/full). Este estudo, feito com a colaboração de vários pesquisadores do iii (Daniela Santoro Rosa, Edécio Cunha-Neto, Keity Souza Cantos, Vivian Leite de Oliveira e Jorge Kalil), em um grupo de 47 casais dispares para infecção pelo SARSCoV-2, analisou a resposta imune contra cepas de coronavírus endêmicos, ao longo de um mês após o início da infecção (confirmada por PCR). De forma interessante, o perfil de anticorpos reativos contra o domínio de ligação no receptor (RBD) que faz parte da proteína S (spike) dos vírus oriundos dessas cepas endêmicas (HCoVs), se mostrou em tudo similar nos casais, ou seja, tanto nos indivíduos positivos como nos negativos para a presença do SARSCoV-2. Os resultados indicam que as infecções prévias pelos HCoVs, coronavírus endêmicos que circulam livremente na população, não protegem para a aquisição da Covid19 em indivíduos não expostos previamente ao SARSCoV-2, contestando, assim, a ideia de que formas mais leves seriam fruto de infecções prévias com HCoVs.
Pedro Moraes-Vieira, novo membro do iii, professor da UNICAMP, acaba de publicar na prestigiosa revista Immunology, o artigo - Obesity-Induced Metabolic Priming Exacerbates SARS-CoV-2 Inflammation (https://doi.org/10.1111/imm.13934) . Nesse estudo, onde Moraes-Vieira é o autor correspondente, diversas tecnologias de ponta foram utilizadas para detalhar como as células imunes se comportam frente à infecção pelo vírus e quais as importantes diferenças nessa resposta, quando o portador da infecção é obeso. Já é sabido que estes obesos se encontram com um perfil bioquímico mais inflamatório, com diversas vias metabólicas alteradas. Os resultados obtidos pelo grupo de pesquisadores indicam que, no indivíduo obeso, as vias bioquímicas que compõe a resposta imune contra a infecção pelo SARSCoV-2 se assemelham ao conjunto de respostas que ocorre após a exposição a ácidos graxos saturados, como ´ácido palmítico encontrado em altas doses no nosso conhecido azeite de dendê. Essa exposição prévia (“priming” em inglês) aumenta a resposta inflamatória e pode ser uma das razões pelas quais a obesidade se encontra associada à maior morbi-mortalidade de pacientes obesos infectados com o vírus. Esse estudo mostra como o perfil pró-inflamatório das células imunes facilita a instalação da disfunção mitocondrial e, através desta, ajuda a induzir a temida tempestade de citocinas.



