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Imunologia

Estudo sugere reforço da Coronavac para homens acima de 55 anos

20 de março de 2024

Estudo sugere reforço da Coronavac para homens acima de 55 anos

Estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Investigação em Imunologia (iii) sugere que pessoas com mais de 55 anos de idade vacinadas com a CoronaVac necessitam de uma terceira dose para tornar satisfatória a resposta imunológica ao novo coronavírus.

Os dados, publicados preliminarmente no MedRxiv, indicam que a imunogenicidade – capacidade de o organismo produzir uma resposta imune – é menor nessa faixa etária mesmo após a segunda dose da CoronaVac, vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Para isso, foi avaliada a presença de anticorpos contra o Sars-CoV-2 no soro sanguíneo de 101 vacinados, 72 recuperados da COVID-19 e 36 que nunca tiveram contato com a doença ou a vacina.

Uma resposta robusta, formada tanto por anticorpos como por células de defesa, foi observada em 7 de cada 10 dos recuperados, mas em apenas 59% dos vacinados. Essa resposta já diminuída se acentua a partir dos 80 anos. Os pesquisadores recomendam que seja feita a aplicação de uma terceira dose de vacina, primeiro em maiores de 80 anos, e, quando possível, em pessoas acima de 60 anos.

Respostas imunes

No estudo, os pesquisadores analisaram a resposta de anticorpos contra o coronavírus, mais especificamente a três tipos de proteínas, responsáveis por sua estrutura e adesão às células; os anticorpos neutralizantes, ou seja, aqueles que de fato inativam o vírus; e a resposta celular, que acontece por meio de uma proliferação de células de defesa, os linfócitos. As pessoas que forneceram as amostras foram separadas por faixa etária e sexo. “Foi medida a produção de duas proteínas essenciais para o funcionamento das células T, que fazem a defesa do organismo: a interleucina-2 e o interferon-gama. Nos homens com mais de 55 anos, não houve diferença no interferon-gama, mas sim na interleucina-2, o que aponta para uma possível dificuldade na produção de células T de memória, que garantem a resposta imune contra o vírus muito tempo após a vacinação”, explicou ao Jornal da USP o imunologista Edécio Cunha Neto, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), um dos autores do trabalho, .

De acordo com o imunologista Jorge Kalil, coordenador do iii e professor da FMUSP, o regime de aplicação da vacina precisa ser revisto. “A resposta diminuída para a vacina se acentua a partir de 80 anos. Isso demonstra bem que o regime vacinal que foi utilizado não é suficiente para dar uma razoável cobertura contra doença grave e contra morte. Isso já foi verificado na prática quando se viu a efetividade da vacina no campo e se viu que as pessoas idosas continuam tendo mais a doença, apesar de estarem imunizadas com a Coronavac”, contou ao Jornal da USP.