Estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Investigação em Imunologia (iii) sugere que pessoas com mais de 55 anos de idade vacinadas com a CoronaVac necessitam de uma terceira dose para tornar satisfatória a resposta imunológica ao novo coronavírus.
Os dados, publicados preliminarmente no MedRxiv, indicam que a imunogenicidade – capacidade de o organismo produzir uma resposta imune – é menor nessa faixa etária mesmo após a segunda dose da CoronaVac, vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Para isso, foi avaliada a presença de anticorpos contra o Sars-CoV-2 no soro sanguíneo de 101 vacinados, 72 recuperados da COVID-19 e 36 que nunca tiveram contato com a doença ou a vacina.
Uma resposta robusta, formada tanto por anticorpos como por células de defesa, foi observada em 7 de cada 10 dos recuperados, mas em apenas 59% dos vacinados. Essa resposta já diminuída se acentua a partir dos 80 anos. Os pesquisadores recomendam que seja feita a aplicação de uma terceira dose de vacina, primeiro em maiores de 80 anos, e, quando possível, em pessoas acima de 60 anos.
Respostas imunes
No estudo, os pesquisadores analisaram a resposta de anticorpos contra o coronavírus, mais especificamente a três tipos de proteínas, responsáveis por sua estrutura e adesão às células; os anticorpos neutralizantes, ou seja, aqueles que de fato inativam o vírus; e a resposta celular, que acontece por meio de uma proliferação de células de defesa, os linfócitos. As pessoas que forneceram as amostras foram separadas por faixa etária e sexo. “Foi medida a produção de duas proteínas essenciais para o funcionamento das células T, que fazem a defesa do organismo: a interleucina-2 e o interferon-gama. Nos homens com mais de 55 anos, não houve diferença no interferon-gama, mas sim na interleucina-2, o que aponta para uma possível dificuldade na produção de células T de memória, que garantem a resposta imune contra o vírus muito tempo após a vacinação”, explicou ao Jornal da USP o imunologista Edécio Cunha Neto, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), um dos autores do trabalho, .
De acordo com o imunologista Jorge Kalil, coordenador do iii e professor da FMUSP, o regime de aplicação da vacina precisa ser revisto. “A resposta diminuída para a vacina se acentua a partir de 80 anos. Isso demonstra bem que o regime vacinal que foi utilizado não é suficiente para dar uma razoável cobertura contra doença grave e contra morte. Isso já foi verificado na prática quando se viu a efetividade da vacina no campo e se viu que as pessoas idosas continuam tendo mais a doença, apesar de estarem imunizadas com a Coronavac”, contou ao Jornal da USP.



