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Imunologia

O zika virus não cheira, mas....

26 de maio de 2025

O zika virus não cheira, mas....

De forma semelhante ao que já foi descrito há alguns anos para o parasita da malária Plasmodium falciparum, agora temos notícia que o zika vírus (ZKV) também é capaz de induzir, nas células infectadas do hospedeiro, a emissão de produtos voláteis que atraem o mosquito vetor. No caso do plasmódio, o mecanismo já é parcialmente conhecido e resulta na emissão de CO2, aldeídos, e monoterpenos, que juntos atraem o mosquito vetor da malária, Anopheles gambiae (https://www.science.org/doi/10.1126/science.aah4563). No caso do ZKV (https://www.nature.com/articles/s42003-025-07543-9), estudo in vitro mostra a produção de um conjunto específico de VOCs (compostos orgânicos voláteis) que geram um “perfume” especial para atrair o Aedes aegypti, mas que é ignorado pelo Anopheles. O “perfume” se torna particularmente eficiente na fase de transmissão do ZKV. Esse estudo vem de encontro a outro feito com diversos flavivirus, incluindo zika e dengue (doi:10.1016/j.cell.2022.05.016), que demonstrou haver modificação da microbiota da pele quando da infecção por um flavivirus, levando à produção de acetofenona, que aumenta a atratividade ao mosquito Aedes. Nesse casom verificou-se que a infecção causa a diminuição de RELMalfa, um antimicrobiano presente na pele. Como resultado, a expansão de certas bactérias da microbiota levou ao aumento da acetofenona. Pois é, olha aí os vírus fazendo o hospedeiro cheirar diferente....