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Imunologia

Um novo nicho para explorar: o interstício

20 de junho de 2024

Um novo nicho para explorar: o interstício

The Scientist é um veículo de informação científica que traz sempre assuntos instigantes e pontos de vista inesperados. Uma das matérias recentes, escritas pela neurocientista e excelente redatora cientifica Iris Kulbatski (https://www.the-scientist.com/interstitium-a-network-of-living-spaces-supports-anatomical-interconnectedness-71803), trata de uma nova área de estudos, descrita, em 2018, pelo Professor de Patologia da New York University Neil Theise na Sci. Rep. (https://doi.org/10.1038/s41598-018-23062-6). Trata-se de uma vasta rede de interconexão entre órgãos próximos ou afastados, mantida por estruturas proteicas ricas em colágeno. O tecido intersticial sempre foi deixado de lado, sendo considerado sem importância na função do organismo, sendo a ele atribuído apenas uma vaga função estrutural. No entanto, essa rede proteica, na verdade, permite a passagem de fluidos em todas as direções, constituindo uma via importante de informação seja através do transporte de células e moléculas como citocinas, quimiocinas ou fatores de crescimento, seja por estímulos mecânicos gerados pela rede de fibras. Além disso, o colágeno, quando empilhado suficientemente, passa a ser piezoelétrico, gerando correntes elétricas que transportam certas moléculas em detrimento de outras. O ácido hialurônico presente em grandes quantidades no interstício também tem propriedades elétricas que agem como filtro no transporte de moléculas. Várias publicações indicam que essas características do tecido intersticial têm um importante papel na regeneração de tecidos, na facilitação de metástases e participação importante na sepse e no edema periférico. Uma lista de artigos sobre o tema está disponível para os interessados, ao final da matéria.